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Psicopatologia
Alterações do Movimento
Alterações do Movimento Quantitativas
Alterações do Movimento Quantitativas - Aumento
Agitação Psicomotora
Aumento geral da atividade, exacerbação da motricidade, com menor grau de coordenação e não intencional.
Acatisia
Estado desconfortável de inquietação interior subjetiva com intenso desejo/compulsão para o movimento.
- Associada a ideação suicida e agressão a terceiros; cerca de 25% dos doentes a fazer antipsicótico de 1ª geração apresentam acatisia.
Alterações do Movimento Quantitativas - Diminuição
Parésia
Ausência de movimento localizado a uma parte do corpo.
Cataplexia
Ausência súbita, involuntária e temporária do tónus muscular.
Acinésia e Hipocinésia
- Acinésia: Ausência de movimento apesar de tónus muscular mantido
- Hipocinésia: Movimento menos intenso apesar de tónus muscular mantido
Bradicinésia
Movimento existente mas lentificado
Exemplos:
- Sindrome Parkinsónica - P. Depressiva - Epilepsia - Catatonia
Alterações do Movimento Qualitativas
Alterações do Movimento Qualitativas - Voluntários
Maneirismos
Movimentos voluntarios e conscientes, com finalidade; Variações na execução de movimentos dirigidos
- Ex: dar uma pirueta antes de se sentar
Alterações do Movimento Qualitativas - Involuntários
Tremores
Movimentos oscilantes, de ritmo constante. Geralmente mais evidentes nas extremidades.
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3 tipos: repouso; postural/ação e intencional
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Tremor de repouso:
• Característico dos s. parkinsónicos
• Grosseiro
• Baixa frequência
• O movimento “enrolar mortalha” é extremamente típico
• Só visível quando o doente está em repouso
• Geralmente interfere pouco com a funcionalidade
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Tremor Postural/ação:
• Ausente quando o doente está em repouso
• Surgem quando o corpo se mantém atvamente numa posição
• Exemplos: tremor essencial; toxicidade por lítio/AD/estimulantes
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Tremor intencional:
• Ocorrem quando há afeção do cerebelo ou do tronco encefálico:
• Esclerose múltipla • Encefalopatia de Wernicke • Avc/tumores do cerebelo
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Movimentos Coreiformes
• Involuntários
• Repetitivos
• Breves
• Irregulares
• Começam numa parte do corpo e passam para outra – de modo abrupto, imprevisível e, de forma geral, continuo
• + rudes e + sacudidos que os atetoides
Movimentos Atetóides
• Ondulaçoes
• Lentos e tortuosos
• Ex: reptações da língua
Distonia
Aumento involuntário do tónus muscular que levam a contrações sustentadas no tempo, podendo o doente permanecer em posições distorcidas.
• Exemplos: Crises oculogiras; Rotação e inclinação da cabeça (torcicolo); Opistótono
• Distonias Agudas: São as mais freq na população psiquiátrica; Revertem facilmente com anticolinérgicos ou benzodiazepinas; Ocorre em 10% dos doentes sob AP: ++ em homens jovens, naïves aos AP
Automatismos
• Movimentos involuntários
• Sem finalidade
• Podem ser simples ou complexos
• Podem parecer bizarros
• Doente com consciência alterada: não responde a estímulos, apresenta-se confuso
• Geralmente o doente não se recorda dos mesmos
• Exemplos de automatismos simples: Lamber; estalar os dedos; mastigar
• Exemplos de automatismos complexos: Andar de um lado para o outro; puxar roupa ou botões
• Os automatismos são muito sugestivos de convulsões parciais complexas – especialmente se os movimentos forem complexos!!!
• Os automatismos simples podem ocorrer na catatonia
Tiques
• Movimentos espontâneos
• Involuntários
• Pequenos grupos musculares
• Repetitivos
• O doente e geralmente incapaz de os evitar – podem ser suprimidos mas com grande esforço e ansiedade
• Exemplo de tiques: Piscar dos olhos; caretas várias; mov espasmódicos das extremidades
• Ocorrem em indivíduos saudáveis (++ crianças), sendo tbm comuns:
1. POC
2. Gilles de la Tourette
3. Consumo de estimulantes
Preserveração
• Incapacidade ou dificuldade em mudar de uma tarefa para outra
• ++ comumente na linguagem mas pode ocorrer no comportamento/movimento
• O doente executa repetidamente uma acção que já serviu o seu propósito
• Reflete disfunção do córtex pré-frontal:
1. S. Demênciais
2. Tumores
3. AVC
4. Esquizofrenia
• NOTA: NÃO se verifica alteração do estado de consciência
Fixação de Posturas
• Adoção de uma posição de não repouso de forma mantida no tempo e sem objetivo
• Exemplo:
1. Convulsões parciais complexas
2. Catatonia
Ecopraxia
• Imitação involuntária dos movimentos de outra pessoa![image]
Catalepsia
• Também denominada flexibilidade cérea
• Manutenção de uma posição em que outra pessoa o colocou
• Como se tratassem de bonecos de cera
• Ocorre na catatonia, por exemplo
• DIFERENTE DA CATAPLEXIA: na cataplexia há um relaxamento muscular involuntário por perda do tónus
Rigidez em Roda Dentada
• Resistência involuntária aos movimentos passivos de flexão e extensão e pronação e supinação
• Ressalto: contração e relaxamento muscular alternados
• Frequentemente acompanha bradicinésia
• Ocorre no S. parkinsónico
Alterações da Percepção
Percepção e Representação Mental
O que é a percepção?
A percepção do mundo que nos rodeia envolve uma cascata de processos que nos permite não só experienciá-lo como reagir aos estímulos que nos são enviados.
O processo de percepção inicia-se com o estímulo dos órgãos dos sentidos:
- O órgão dos sentidos captar essa informação, e a este passo damos o nome de sensação.
- A informação captada pelos orgãos dos sentidos é depois transformada num sinal elétrico, num processo denominado transdução de sinal.
- Os sinais eléctricos são enviados ao córtex cerebral.
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No córtex cerebral, o sinal sensorial é correlacionado com a informação pré-existente resultando na percepção com significado do estímulo.
Nota: Dado que o número de estímulos provenientes, são em muitos casos, incontáveis, é natural que o nosso organismo atenda a um de cada vez, sendo esse denominado “estímulo atendido”.
O que são as Representações Mentais?
Ao contrário da percepção que provém da realidade concreta e é independente da vontade do indivíduo. As representações mentais são, como o próprio nome indica, meramente figurativas e com um carácter subjectivo, totalmente dependentes da nossa vontade. Por outro lado, enquanto que a percepção ocorre no espaço objectivo externo e apresenta-se claramente delineada. As representações mentais são localizadas ao espaço subjectivo interno e tomam formas pouco delineadas ou até mesmo incompletas.
Sinestesia
A sinestesia é uma condição rara que não é considerada um processo anormal ou patológico, sendo bastante comum em intoxicações por drogas, especialmente no LSD.
Esta ocorre quando a percepção de um estímulo numa modalidade sensorial é percepcionada simultaneamente noutra modalidade sensorial
Exemplo: ver a cor da música
Anomalias da Percepção
Distorções Sensoriais
Nas distorções sensoriais o objecto real é percebido, reconhecido e identificado. No entanto há um desvio da sua aparência normal, ou seja, o objecto é percebido de forma distorcida.
Apesar de poderem ocorrer em indivíduos saudáveis, quanto mais frequentes e intensos estes fenómenos, maior a probabilidade de o indivíduo apresentar uma patologia do foro neurológico.
É de notar que as distorções sensoriais podem ocorrer em qualquer umas das modalidades sensoriais.
Distorções Sensoriais Visuais
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Dismegalopsia:
Alteração na percepção do tamanho do objecto ou até mesmo partes do corpo humano. Há quem use o termo para descrever o fenómeno da mudança de tamanho do objeto conforme o lado em que o mesmo é percepcionado (Sims).
Por um lado, o objecto pode ser percebido com uma dimensão superior à real (Macropsia ou Megalopsia), como por exemplo a visualização de uma mão como sendo gigante. Por outro lado, o objecto pode ser percebido com uma dimensão inferior à real (Micropsia), como por exemplo uma casa parecer pequenina como se fosse de brincar.
Na hemimicropsia há redução aparente num único campo visual.
A dismegalopsia é comum na epilepsia do lobo temporal, podendo também ocorrer em outras doenças orgânicas como patologia da retina, alterações na acomodação ou convergência.
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Dismorfopsia:
Caracteriza-se por uma alteração na percepção da forma do objecto e está normalmente associada a dismegalopsia. Se por um lado, pode haver uma alteração da percepção da forma normal dos objectos (metamorfopsia). Por outro lado, pode haver uma alteração da percepção da forma apenas de rostos (paraprosópia), normalmente apresentando uma flutuação rápida e dinâmica.
Schrebber, o autor doente que escreveu a famosa obra “memória da minha doença nervosa”, descreve um ótimo exemplo de paraprosópia: “…eu testemunhei repetidamente que (alguns doentes) trocaram de cabeça enquanto estavam na sala comunitária…eles repetidamente corriam com uma cabeça diferente”.
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Acromatopsia:
É a designação que se dá quando o indivíduo não é capaz de ver cores, fenómeno que pode ocorrer nas lesões do lobo occipital. Para além da acromatopsia, podem ocorrer outras alterações na percepção do espectro das cores.
Vejamos o exemplos das doenças degenerativas cerebrais, em que os objectos e até mesmo as pessoas podem parecer mais escuros; ou na intoxicação por digitálicos que predominam as tonalidades de verde; ou na enxaqueca que as cores podem desvanecer, tomando o campo de percepção uma cor cinzenta.
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Teleopsia e Pelopsia:
Para além das alterações na percepção do tamanho, forma ou cor dos objectos, pode haver uma alteração da percepção da sua localização espacial. O doente pode percepcionar o objecto como estando longínquo quando não o está (Teleopsia) ou, pelo contrário, pode percepcionar o objecto a uma distância muito mais curta do que a real (Pelopsia)
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Acinetopsia:
Alteração da percepção do movimento (Acinetopsia).
Dou o exemplo de um doente que se questionava a razão dos canos da sua casa não estarem funcionantes, uma vez que quando ligava o chuveiro parecia que água estava congelada e não corria.!
Outras Distorções Sensoriais
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Palinopsia/ Palinacusia/ Palinopatia:
Refere-se à recorrência ou duração de um fenómeno visual/auditivo/táctil (respectivamente) além dos limites comuns da ocorrência do evento no mundo real.
Vejamos o exemplo de um doente com palinopsia que observa um pássaro curioso numa árvore e a partir daí começa a ver o mesmo pássaro sempre que passa nessa mesma árvore, mesmo sem o mesmo estar nela.
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Exomestesia:
Ocorre um deslocamento da sensação para o espaço extrapessoal.
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Alestesia:
Na alestesia o estímulo sensorial de um lado do corpo é sentido no outro lado.
Pode ocorrer:
1.Lesões vasculares do putamen 2.Patologia com afecção da medula espinhal - Hérnia do disco cervical - Tumores cervicais - Esclerose múltipla
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Hiperestesia e a Hipoestesia:
Alteração na percepção da intensidade do estímulo.
Podem ser o resultado de estados emocionais intensos ou de uma alteração do limiar fisiológico para a sensação.
Enquanto que na hiperestesia há um aumento da intensidade percepcionada do estímulo (por exemplo, uma pequena luz pode ser percebida como um enorme clarão); Na hipoestesia há uma diminuição da intensidade percepcionada do estímulo, podendo as cores parecer menos vívidas, os sons parecerem abafados ou estando longe, dependendo da modalidade sensorial afectada.
A hiperestesia pode estar associada:
1. Perturbações depressivas e ansiosas 2. Intoxicação alcoólica 3. Enxaqueca
A hipoestesia pode ocorrer:
1. Perturbação depressiva grave 2. Delirium - No delirium o limiar para as sensações está aumentado, sendo a acuidade sensorial ainda mais prejudicada pelo défice de atenção característico da patologia
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Clivagem da Percepção:
Ocorre quando o doente não é capaz de associar mais do que um tipo de percepção vinda do mesmo estímulo.
Para exemplificar vejamos um caso de um doente com o diagnóstico de esquizofrenia que ao falar com o médico tinha a sensação de que a voz não era a da pessoa que estava à sua frente, tendo a sensação que a imagem e o som provinham de fontes diferentes.
Apesar de ser uma condição rara a mesma pode estar presente na esquizofrenia ou em estados orgânicos.